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A carta que o TJRO leu em homenagem ao Dia dos Pais

31/10/2026

Uma despedida familiar transformada em homenagem pública no Pleno do Tribunal de Justiça de Rondônia.

A carta que o TJRO leu em homenagem ao Dia dos Pais

Uma despedida familiar transformada em homenagem pública no Pleno do Tribunal de Justiça de Rondônia.

Sergio Fonseca Iannini

Autor de Somente Enquanto Dura.

Brasília, 31 de outubro de 2026.

Resumo: A memória de Roberto Braz Iannini, juiz oriundo do primeiro concurso daquele recém-criado Estado, a partir da carta lida perante o Pleno do TJRO em homenagem ao Dia dos Pais.

Palavras-chave: Dia dos Pais; TJRO; memória; despedida; magistratura; família; Roberto Braz Iannini.

Uma despedida transformada em memória pública

Há momentos em que a emoção encontra as palavras certas. Em agosto de 2022, ao recordar a trajetória e a despedida de seu pai, o juiz Roberto Braz Iannini, Sérgio Fonseca Iannini escreveu uma carta marcada pela memória, pela gratidão e pelo afeto filial.

O texto nasceu de uma circunstância íntima: uma despedida, mas também uma forma de reconhecer a história de um homem dedicado à família, à música, aos estudos, à vida simples e humilde e ao serviço público.

Após se aposentar como magistrado do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, Roberto Braz Iannini foi, durante décadas, maestro do coral da Igreja do Pai Nosso, no Lago Norte, ao mesmo tempo em que se dedicava ao ensino de Latim na Universidade de Brasília e, anteriormente, no CEUB. Na década de 1990 e no início dos anos 2000, também exerceu a advocacia, permanecendo ligado à vida jurídica. Nesse mesmo período, promovia semestralmente, em sua residência, disputados saraus musicais, reunindo amigos e admiradores em torno da música e da cultura. No final da década de 1960 e durante a década de 1970, foi ainda organista do Santuário Dom Bosco, participando, como músico, de praticamente todos os casamentos e das missas ali celebradas nos primeiros anos da capital federal.

A manifestação foi levada ao conhecimento do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia durante sessão do Pleno, sob a presidência do Desembargador Marcos Alaor Diniz Grangeia. Na ocasião, a carta foi lida perante a Corte como homenagem ao Dia dos Pais e em referência aos 40 anos de instalação do Poder Judiciário em Rondônia. Como forma de reverenciar a memória do magistrado, oriundo do primeiro concurso daquele recém-criado Estado, a carta foi transcrita no Diário da Justiça.

A leitura transformou uma lembrança familiar em homenagem institucional. A memória de um juiz pioneiro foi acolhida por seus pares e apresentada como parte da história do Judiciário rondoniense.

A carta

A seguir, a carta é reproduzida integralmente, com a redação, a pontuação e o tom emocional em que foi publicada:

Estimado desembargador Marcos Alaor Diniz Grangeia. É com imensa satisfação e emoção que dirijo-me a Vossa Excelência, saudando em vosso nome todos os Juízes desta Corte, para dar notícias de meu saudoso pai, ROBERTO BRAZ IANNINI, que fora Juiz de Direito do Egrégio Tribunal de Justiça de Rondônia, aprovado no 1º concurso no ano de 1982. Naquela época, eu era apenas um menino de 8 anos de idade, tendo meu pai ficado alguns anos judicando na Comarca de Costa Marques, até que logrou aprovação em outro concurso de Juiz, desta vez em Brasília/DF, onde permaneceu até aposentar-se em 1991. Meu saudoso pai judicou em Costa Marques, onde fundou um coral com populares, eis que era músico, maestro, pianista, sanfoneiro e organista, chegando a participar de um documentário para a TV local com o coral, documentário esse que infelizmente não tenho em acervo. Ele faleceu há 4 anos, no dia 1º de Julho de 2018, após completar 85 anos de idade no dia 14 de junho do mesmo ano, em decorrência de Alzheimer, Parkinson e problemas cardíacos. Tive o privilégio de estar de mãos dadas com ele neste momento, onde pude expressar minhas últimas palavras a ele, nos corredores do hospital, quando vi que ele já estava partindo: PAI, EU TE AMO. Ao que ele respondeu: EU TAMBÉM. Em seguida disse: PAI, FAÇA UMA BOA VIAGEM, respondida com um simples e fraco: TÁ. Em seguida partindo para o Oriente Eterno. Maior benção não poderia imaginar em minha vida de estar presente com meu pai na hora de sua passagem. Deixou 5 filhos, sendo minha irmã Mônica a primogênita, atualmente Juíza do TJDFT, Titular da 1ª Vara de Entorpecentes do DF, eu, SERGIO FONSECA IANNINI, este humilde advogado que vos escreve; a PATRÍCIA, Juíza do Trabalho no RS; meu irmão ROBERTO servidor do Senado Federal e meu irmão caçula MARCELO, servidor do Ministério da Fazenda. Minha mãe, JUDITH FONSECA IANNINI, permaneceu casada com meu pai, por muitos anos, até o falecimento dele. Hoje permanece viúva. Infelizmente o TJRO, provavelmente por falta de contato com ela, nunca mais comunicou com ela, mas deixo neste momento os dados de contato dela caso queiram dar um telefonema a ela, que, aos 83 anos de idade, continua lúcida, morando sozinha numa casa imensa, recusando-se a morar com qualquer dos filhos ou a se mudar para um local menor. Decisão essa respeitada mui humildemente por esse filho que tanto a ama (...). Meu pai foi um grande exemplo para mim, eis que, quando tomou posse em Brasília, poderia ter se aposentado como Juiz em Rondônia e acumulado proventos, o que ele não o fez pois achava moralmente errado. Pediu exoneração. Nunca ligou para metais. Na época, o governador do Estado de RO, Teixeirão, ofereceu-lhe fazendas em Costa Marques, que eram dadas pelo Estado na época, também recusadas pelo meu saudoso pai. Enfim, foi um homem nobre, que acredito, engrandeceu as colunas do Egrégio Tribunal de Justiça de Rondônia. Eu, apesar dos meus vividos 48 anos de idade, ainda não tive a oportunidade de visitar e conhecer o grande Estado de Rondônia, mas certamente o Grande Arquiteto do Universo achará a ocasião para fazê-lo. Fico por aqui deixando meu fraterno abraço a Vossa Excelência, a todos os ilustres Desembargadores, Juízes e servidores desta Egrégia Corte, pedindo, mui humildemente, que, caso possível, seja esta carta lida na sessão do Tribunal no início dos trabalhos como uma homenagem deste advogado, filho de um Juiz pioneiro desta Egrégia Corte, a todos os Juízes desta Corte, seus servidores e demais funcionários, que meu saudoso pai tanto admirava e falava com tanto orgulho e admiração até o fim de sua vida. Muito obrigado. Atenciosamente, SERGIO FONSECA IANNINI. OAB/DF 28.440.

Nota documental

A manifestação foi registrada na sessão do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia realizada em 15 de agosto de 2022 e publicada no Diário da Justiça Eletrônico do Estado de Rondônia, edição nº 153, de 18 de agosto de 2022, página 259.

Consultar o Diário Oficial do TJRO — fonte oficial
Consultar a publicação correspondente no Jusbrasil
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